Memento #3

wp33

LOST foi a série que me iniciou nesta esfera globalizada da TV 2.0. A Revista Superinteressante tem uma ótima reportagem sobre este fenômeno da modernidade que marcou e inspirou a criação de muitas outras séries, mas nenhuma a meu ver atingiu o ápice que Lost alcançou.

Apesar do final controverso que dividiu muitos fãs, alguns tendo diversas teorias para explicá-lo, pouco importa. Para aqueles que acompanharam, a viagem que foi feita durante as seis temporadas: o universo de cada personagem, os mistérios da ilha, as conversas com frases marcantes, o clímax de cada despedida e de cada ação que teria um efeito posterior…

A série apresenta a jornada integrada de pessoas – entre personagens principais e secundários – que passam a se ver em um emaranhamento de enigmas após a queda do vôo 815 da Oceanic Airlines que ia de Sidney com destino a Los Angeles. Cada um vivenciava sua trajetória de vida específica, que em muitos pontos e valores se entrelaçaram na tal ilha desconhecida, que, por fenômenos específicos, não tinha ponto circunscrito no tempo nem no espaço.

As experiências da ilha se desencadeiam em 3 linhas temporais distintas que se interconectam: tempo presente, flashbacks e flash sideways. Conforme a trama prossegue, vamos compreendendo as características que envolvem cada personagem, suas lembranças, cenários possíveis e projeções almejadas.

Longe de querer explicar o enredo de Lost, feito que certamente precisaria de especialistas em física quântica, psicologia, mitologia e filosofia, vou me conter em apresentar as frases e cenas que mais me impressionaram, as quais trago na mochila e apresento aos leitores:

1 – Se ficar se preocupando com o que acontecerá, quando perceber, sua vida acabou e você a perdeu se preocupando…”

Não é de nenhum personagem principal, é uma cena de um flash sideway do personagem Sawyer, onde ele está vendo um filme e o personagem do filme diz essa frase, que se encaixava perfeitamente com o momento dele na série.

Sawyer que por sua vez era um de meus personagens preferidos, pois era o que mais lia e suas frases viraram verdadeiros bordões, enigmáticos ou bem humorados e recheados de referências a filmes e escritores.

2 – “Esperança é algo muito perigoso de se perder.” Sayid

3 – “O destino tem um jeito de corrigir o curso das coisas.” Hawkins

4 – “Só termina uma vez. Tudo que acontece antes é apenas progresso.”  Jacob

5 – “Não me diga o que não posso fazer.”  Locke

Por fim, trago dois vídeos com compilações das melhores cenas, porque foi difícil escolher só um! Para aqueles que como eu eram fãs da série, sentiram a nostalgia e relembrarão outras frases e momentos marcantes de Lost!

Memento #2

humanoid-in-sphere-in-westworld-life-out-of-chaos-promo

A parceria Jonathan Nolan / J.J.ABrahms demonstra que está no auge da criação e direção, e após a ótima série Person of Interest, a nova série Westworld (2016) chega às telas da HBO, inspirada no filme de mesmo título dirigido em 1973 por Michael Crichton.

Com cenário e roteiro que esbanjam criatividade, possui ainda elenco recheado de atores premiados, e cito alguns: Anthony Hopkins, Jeffrey Wright, Ed Harris, Evan Rachel Wood e Rodrigo Santoro. Com apenas 3 episódios já se situa no rank 1 do IMDb com média 9,2.

Clique aqui para visualizar o perfil completo da série no IMDb.

Difícil é a tarefa de categorizar essa obra-prima que se iniciou, pois seu ela engendra diversos aspectos. A produtora o classifica como drama, ficção científica e western. Este último gênero é o faroeste  que tem raízes no cinema mudo e se popularizou até a década de 60. Tarantino tentou resgatá-lo recentemente com Django Livre.

O fato é que o enredo apresenta uma época (ainda não mencionada), em que os humanos criam cópias sencientes à partir de impressoras 3d de tecnologia avançada. Por si só já é um tema desafiador, pois mescla facetas da tecnologia e neurociência que suplantam nosso panorama científico da realidade. Clicando neste link do The Verge, é possível verificar que já existem experimentos envolvendo a criação de tecido humano com estas impressoras, mas corpos completos (e complexos) ainda parecem estar a milênios da nossa percepção atual.

Essas inteligências artificiais ou nem tanto assim são inseridas em um parque temático programado por empresa especializada, onde são projetados como “anfitriões”, para que os humanos que puderem pagar desfrutem das aventuras neste local como “convidados”. Destaco local pois não sabemos ainda se trata-se de uma dimensão física ou virtual (voto pela segunda devido as evidências que foram deixadas até o terceiro episódio).

Trata-se de um parque arquitetado como o Velho Oeste, coordenado pelo diretor executivo do parque, o Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins) e sua equipe. Nesta “dimensão” os androides tem seu comportamento meticulosamente programado para acreditarem que são humanos e vivem em um mundo real. Em suma, neste espaço os convidados podem fazer o que quiserem, sem obedecer à regras ou leis.

No entanto, quando uma atualização no sistema das máquinas dá errado, os seus comportamentos começam a sugerir uma ameaça evolução, à medida que as consciências artificiais passam a guardar resquícios de memórias ou até mesmo memórias completas das situações que estão vivendo. Entre os residentes do parque, está Dolores (Evan Rachel Wood), programada para ser uma garota do campo, que está dando sinais nítidos do bug evolutivo e visualizando que sua existência, até o momento, não passa de um roteiro para a diversão dos ricos.

No entanto, pouco se demonstrou até agora a respeito do mundo real, tão somente o espaço da empresa, as mentes e máquinas que produzem os personagens deste intrigante jogo psicológico que já nos gera n perguntas com tão poucos episódios e nos incentiva a mergulhar ainda mais fundo no prosseguimento da série.

Não dá pra não citar o clima Lost no decorrer da narrativa, nos detalhes da trilha sonora de Ramin Djawadi e típico do modo thriller que Abrahms insere com maestria.

Ao se deparar com este panorama tecnológico relembro o brilhante Isaac Asimov com seu Multivac em The Last Question,a série Battlestar Galactica de Larson e Moore e o recente Ex Machina de Alex Garland. Inteligências artificiais que evoluem ao ponto de confrontarem seus criadores não são novidade,  porém a abordagem que Nolan traz é original, complexa e digna de grande audiência (e dores de cabeça aos filósofos de boteco, que como eu perderão horas a fio discutindo seus meandros e analogias derivadas).

Assista aqui o conto The Last Question (legendado)

Ademais, fica o convite para que você acompanhe esta ótima série,  no intuito de aumentarmos cada vez mais nosso arsenal de especulações (fictícias ou não) e depurarmos os papos de boteco e do cotidiano, que sejam cada vez mais edificantes e nos elevem, e estou convicto que Westworld é uma dessas obras que prometem ser de primeiro escalão.

Memento #1

chess

me·men·to (latim memento, lembra-te) substantivo masculino 1. Oração eclesiástica que principia por aquela palavra. 2. Livro de lembranças, agenda onde se anota o que se quer recordar. 3. Obra em que estão resumidas as partes essenciais de um assunto, de uma ciência. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Nesta interface do blog, pretendo trazer momentos, reflexões, frases, vídeos ou ainda resenhas de séries, filmes e animes. Escolhi o título Memento pois ele resume a ideia a ser construída, algo como uma recordação que impressiona e perdura em nosso pensamento.

Posso dar início a uma série por vários motivos, mas ela só prende minha atenção até o fim se ela tiver o propósito de SOMAR/AGREGAR, seja no que tange ao intelecto, à moral ou ainda, que me permita desenvolver cenários análogos em minha mente acerca destes atributos, propiciando reflexões, experiências que podem vir a contribuir em nosso cotidiano como seres humanos.

Uma série que acompanhei desde o início e recomendo é Person of Interest. Nela o ator Michael Emerson (Harold Finch) é um programador que trabalhou para o sistema antiterrorismo do governo dos EUA e ficou frustrado quando descobriu que o programa priorizava a possibilidade dos atentados coletivos, descartando crimes envolvendo pessoas normais em seu cotidiano, os quais o sistema considerava irrelevantes.

Logo ele criou sua própria versão da intitulada Machine para decifrar os fatos ocorridos com estas singularidades que passavam despercebidas à matriz. Não vou entrar em mais detalhes, pois desejo que vocês assistam a série, que foi finalizada em 2016 em um total de cinco temporadas.

Entretanto, uma conversa entre Harold e sua máquina, num enredo que envolveu uma partida de xadrez e escolhas difíceis, trouxe uma analogia bem interessante sobre como devemos agir com as pessoas. Compartilho para reflexão e certo de alcançar o interesse dos leitores nesta série que achei fantástica:

“Você pediu para eu te ensinar xadrez e eu te ensinei. É um exercício mental útil. 

E através dos anos muitos pensadores ficaram fascinados com ele. 

Mas não gosto de jogar. Sabe porque não? 

Porque foi um jogo que nasceu em uma época brutal, onde a vida valia muito pouco. E todos acreditavam que algumas pessoas valiam mais do que outras. Reis e peões. 

Não acho que ninguém valha mais do que ninguém.

Não invejo as decisões que você terá que tomar. E um dia eu terei partido, e você não terá mais com quem conversar. Mas se não lembrar de mais nada, por favor lembre-se disso: Xadrez é apenas um jogo. 

Pessoas de verdade não são peças. 

E não se pode atribuir mais valor a umas em detrimento das demais. Não para mim. Nem para ninguém mais. Pessoas não são uma coisa que você pode sacrificar. 

A lição aqui é que quem olha para o mundo, como se ele fosse um tabuleiro de xadrez, merece perder.”                                                                    

 Person Of Interest – Temporada 4, Episódio 11.