Experiências Poéticas

Desde que comecei a escrever poesias com maior frequência, um novo universo se abriu pra mim, na literatura e na prática. Provei com todas fórmulas possíveis que nada sabia, e hoje menos ainda sei.

Eu conhecia um pouco de Drummond, Pessoa, Bukowski, Byron, e olhe lá. Desconhecia o leque de regras e estilos possíveis, oportunidade que me foi concedida em meu ingresso na CPP – Casa dos Poetas e da Poesia, administrada pela poetisa Edith Lobato e que conta hoje, em dois anos de existência, com quase 300 membros entre os quais me incluo, reunindo-me a vários poetas e poetisas do Brasil, Portugal e Espanha.

Logo tomei nota de uma porção de estilos possíveis: acróstico, cordel, galope, indriso, overtrip, plêiade, poetrix, prosa poética, tautograma, imagem-poesia e tema-poesia. Estou aprendendo aos poucos cada estilo, e recentemente me debruçando mais sobre os últimos dois campos, de tema e imagem. Tratam-se de temas e imagens votadas mensalmente pelos moderadores da CPP, que ficam à disposição para criarmos textos à partir delas. Darei um exemplo de cada.

Tema-Poesia pode ser uma palavra, frase ou ideia que permita que a inspiração poética se origine dele. Uma das minhas participações, em dezembro, foi no tema: “Escuta, vem nascendo poesia”. Daí surgiu a ideia para o poema Acordes do Sertão, já publicado aqui no blog.

No que tange à imagem, a cada mês recebemos uma foto ou figura, com situação ou cenário disposto, a fim de conduzir-nos ao exercício poético. No mês de setembro, a imagem votada foi esta figura a seguir, que originou o respectivo poema, ainda inédito aqui no blog:

Aphrodite

Ligeia

Afrodite se invejaria com tua perfeição:

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Oxum esculpiu dos corais

Refinada em licores e sais

Embalada nas águas termais

És Deusa de nossos mananciais!

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Proteger os navegantes é sua missão:

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Sejam viajantes ou pescadores

Suaviza da labuta suas dores

Enfrenta mares e rios sem temores

Expedição digna de louvores!

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Luta com bravura pela igualdade e união:

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As fronteiras são sua amargura

Ser delicado, és mel e candura

Com moral de elevada envergadura

A nos envolver com sua ternura!

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Ser de luz a nos guiar pela escuridão:

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Singular e onipresente

Seriedade contundente

Tão sábia e prudente

Farol de amor incandescente

Por favor, nos alimente!

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Espero que tenham gostado e caso quiserem se aprofundar um pouco mais no tema, inseri links sobre cada estilo poético, para serem estudados e praticados. Sei que em minha blogosfera existem vários poetas e poetisas, logo fica o convite de aprimoramento e novas experiências a todos.

Abraços e até a próxima!

Claro Enigma

Carlos-Drummond-de-Andrade

 

Adquiri esta obra de Carlos Drummond de Andrade, que está entre as minhas preferidas. Publicado em 1951, Claro Enigma retoma o formalismo clássico (métrica e rimas regulares + linguagem erudita).

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Como elucidado pelo Professor de Literatura Altemir Oliveira ao site Geekie,  a linguagem de Drummond nesta obra é culta e elevada, e destoa da proposta moderna de aproximar a linguagem literária da linguagem coloquial, forçando o leitor a consultar o dicionário com frequência.

Resgate do poema clássico: Em Claro Enigma, alguns poemas são sonetos – compostos por 14 versos – fazendo referência à poesia formal.

Drummond, que já se destacava pelo seu interesse no aspecto social (observado na obra Sentimento do Mundo em 1940), se debruçou em uma introspecção filosófica, muito mais amarga e reflexiva sobre as condições humanas. Um esclarecimento histórico sobre essa variação de temática e estilo é que justamente nesta década havia a ameaça da Guerra Fria, o que confrontava as ideologias do poeta que sempre lutou pela liberdade.

nos mostra um poeta mais amargo, voltado para questões mais reflexivas sobre a condição humana. O Drummond social que se destaca na segunda geração modernista da década de 1930, engajado em questões sociais em Sentimento do Mundo (1940), dá a vez a um poeta mais introspectivo e filosófico nesta obra.

Claro Enigma apresenta suas conjecturas em ar mais angustiado e melancólico, devido a opressão que o ser humano vivia diante de ideologias tão diferentes e opositivas. Denota ainda, um exercício filosófico ao se ocupar mais com perguntas do que com as respostas, mergulhando no íntimo do ser humano com referências concretas e reais.

Claro Enigma se inicia com “Dissolução”, nos respectivos versos:

“Escurece, e não me seduz
tatear sequer uma lâmpada.
Pois que aprouve ao dia findar
aceito a noite”

Observe a constatação da nova realidade: escurece. Em seguida a confissão do eu lírico que admite não ter desejo de buscar a luz. Ao final a aceitação conformada: se é vontade do dia findar, ele aceita a noite.

A aceitação de uma nova realidade que se mostra escura, possivelmente ao se frustrar com o resultado das lutas sociais da fase anterior, vem acompanhada de uma frequência pessimista que perdura durante a maior parte da obra.

O poema A máquina do mundo, que para muitos é a obra-prima de Drummond, eleito como melhor poema brasileiro do século XX por um grupo de crítico e especialistas consultados pelo jornal Folha de São Paulo, está presente neste livro.

  • REFERÊNCIAS CONSULTADAS

 

ABRIL. Guia do Estudante. Claro Enigma – Análise da obra de Carlos Drummond de Andrade. (Out 2016)

OLIVEIRA, A. Literatura brasileira: dicas para ler poesia e resumo de Claro Enigma (Ago 2016)

Foco

A capacidade de atenção é como um músculo. Sem uso, ela vai definhar.

Ao praticar, ela se fortalece. (Seiiti Arata, 2016)

Minha recomendação de estudo desta vez se dará no campo da psicologia, especificamente no tema concentração e foco.

Foco

O psicólogo Daniel Goleman no livro Foco: A atenção e seu papel fundamental para o sucesso acredita que foco é muito mais do que a atenção que dedicamos em atividades e defende a ideia de que com mais foco poderemos viver uma vida com atenção plena e melhor coexistência entre nossos pares.

Hoje vivemos imersos em um mundo globalizado que nos incita as mais diversas distrações. Sofremos uma enxurrada de estímulos convidativos que, se não forem controlados, nos levam a um overload (sobrecarga) de informações e a exaustão de nossa energia.

Todos nós queremos atenção plena e focada para nos engajarmos em nossos projetos pessoais, a fim de nos sentirmos realizados em cada dia, ano ou projeto que concluímos. Mas para isso temos de renunciar ao vício da conexão a todo instante, redes sociais, celulares e outros dispositivos, além de outras distrações que podem se originar do aspecto sensorial (visual, sonoro, olfativo, e outros sentidos) ou emocional (questões familiares, pessoais, profissionais, saúde, pensamentos, etc)

A atenção que é frequentemente interrompida por estes aspectos acaba por tornar prejudicial a nossa habilidade de trabalhar, estudar e produzir em alta performance. Segundo Goleman devemos tratar o foco como um músculo que precisa ser treinado e também precisa de descanso. Além disso, temos que utilizar a nossa criatividade para tornar os problemas futuros mais palpáveis.

Fica aqui mais este convite para leitura e reflexão.

Este texto foi baseado no Resumo do livro Foco de Daniel Goleman, criado e distribuído pela Arata Academy, e tem como intuito a divulgação do conteúdo sem fins comerciais.

#DesafioLivrosBR — 1001 Livros Brasileiros Para Ler Antes de Morrer

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Desafios literários são bem comuns na rede, principalmente ao nascer de um novo ano. Muitos envolvem gostos (e desgostos) pessoais, alguns seguem alguma “moda” editorial, assim como outros abarcam considerável dificuldade elencando uma enorme quantidade de títulos. Ainda há aqueles que privilegiam a qualidade em detrimento da quantidade de leituras, convocando diversas modalidades que instigam […]

via #DesafioLivrosBR — 1001 Livros Brasileiros Para Ler Antes de Morrer

Felicidade ou Morte

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Minha segunda indicação de livro traz o encontro de duas figuras admiráveis, do ponto de vista acadêmico e de suas posturas como indivíduos perante a sociedade.

Um deles é Clóvis de Barros Filho, filósofo e professor de ética na Universidade de São Paulo. Minha admiração intelectual por este pensador teve início quando tive contato com sua entrevista no programa do Jô Soares e a partir dali acompanhei algumas de suas palestras no youtube e em vídeos da Casa do Saber. Aliás, recomendo enfaticamente este canal do youtube, que apresenta em vídeos curtos temas que aguçam nossa reflexão, intelecto e moral, com pensadores de várias expertises, tais como filosofia, neurociência, artes, e muito mais.

Nas palavras de Karnal, ao encontrar os conteúdos apresentados por Barros, somos tomados por sua voz tonitruante, típica de um grande orador e intelectual refinado. Além disso, ele explana suas ideias de forma divertida, demonstrando uma base intelectual sólida, percebida em suas citações, metáforas, analogias e contos que sempre emanam de forma brilhante o cerne da questão apresentada.

O segundo é Leandro Karnal, professor da Universidade Estadual de Campinas na área de História da América e responsável pela curadoria de renomados museus, tais como o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Além da acurada didática e poderosa eloquência, me admira neste pensador a postura moral serena em sua abordagem de temas considerados polêmicos, e a maneira como se porta nos debates variados que já acompanhei.

O livro nos brinda com um diálogo acerca do conceito de felicidade, diante de cinco perspectivas: “O  vazio da felicidade”, “Ser feliz ou ser livre?”, “A infelicidade do outro”, “Felicidade e amor” e “A felicidade aqui e agora”. Um livro de leitura rápida, em suas pouco mais de oitenta páginas, porém de reflexão profunda, como o tema sugere. É ainda recheado de citações, como Sartre e Rousseau, apresentadas no glossário ao final da obra, que aguçam o leitor na busca por um arcabouço cada vez mais abrangente de conhecimento, sob o prisma do comportamento humano.

Felicidade ou Morte é um exemplo de diálogo edificante, que expande nossa consciência e potencializa nossa visão de mundo. Nos impulsiona no âmbito intelectual e com certeza moralmente, com seu estudo e prática nos tornando melhores no viés individual e coletivo.

Fica aqui minha dica a todos leitores, para esta semana de Natal, um grande abraço 😉

Pálido Ponto Azul

Pálido Ponto Azul foi o título atribuído a fotografia da Terra realizada pela sonda espacial Voyager 1, em 1990, de uma distância aproximada de 6,4 bilhões de quilômetros.

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Esta foto inspirou Carl Sagan a elaborar o livro com o mesmo nome, em meados de 1994:

A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus frequentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes.

Nossas atitudes, nossa pretensa importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida.

O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, em meio a toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos.                                                (Cap. I – Você está aqui)

Comecei a ler esta obra-prima hoje, e estou mais curioso a cada capítulo com os pensamentos de Sagan. Com linguagem científica, didática e de leitura prazerosa, o autor tem como objetivo apresentar uma visão geral de outros mundos, o que nos espera neles, o que eles nos dizem sobre nós mesmos e – dados os problemas urgentes que nossa espécie enfrenta no momento – se faz sentido partir.

Deveríamos resolver esses problemas primeiro? Ou serão eles um razão a mais para partir? – Questiona o autor já na introdução.

Apesar da década em que foi escrito, Pálido Ponto Azul se mantém como um livro atual em suas conjecturas filosóficas e científicas. Se existiram conquistas nos últimos anos no campo da Astronomia, o que não se pode negar no âmbito intelectual, pouco se pode dizer do prisma moral, no qual o ser humano ainda permanece em estágio embrionário.

É certo dizer que a evolução não se dá em saltos.

 Com esta minha primeira indicação literária, almejo que o leitor expanda seu senso crítico e estruture o conhecimento acerca dos mecanismos e leis que regem o Universo. Um passo de cada vez, sempre com base no crivo da razão.

Finalizo com uma citação de Herculano Pires (em Agonia das Religiões):

“A razão é a minha bússola. A verdade, o meu norte.”