Memória Metálica

Continuação de Conto de um Futuro IdealCapítulo II

Capítulos anteriores: PrólogoIntrodução

“Se você acha que o conhecimento custa caro, experimente optar pela ignorância.” Abraham Lincoln

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Os meandros da evolução são infinitos e inquietantemente aleatórios. Ou a sensação da aparente aleatoriedade nada mais é que a ignorância das leis que regem o universo (!?). Haveria um mecanismo capaz de explicar realmente quem somos, de onde viemos e para onde vamos?

Parece que esta resposta estaria um pouco mais próxima. Após 40 mil anos da parceria firmada com os Elhirem, não só passamos a explorar as galáxias na velocidade da luz e nos abastecermos diretamente do hidrogênio das estrelas… garimpamos materiais exóticos em cada quadrante dos aglomerados vizinhos, sendo que um deles nos trouxe uma revelação espontânea que há muito nossa civilização esperava.

Os Elhirem já dominavam intuitivamente esse conhecimento, mas os humanos arrogantes que nunca deixamos de ser, precisávamos de uma prova científica cabal. Falo da nossa existência anterior ao corpo material e após a morte dele. Não adiantaram as evidências esmagadoras apresentadas no decorrer dos milênios (Rivail e Crookes que o digam); para saciar nossa incredulidade e prepotência precisaríamos de algo mais mastigado em nossas mãos, um recurso incontestável que se apresentasse a todos, individualmente.

Trata-se de um metal, que denominara-se Atmeno, extraído primeiramente em uma pequena lua no aglomerado IV da galáxia de Andrômeda.

Foi um susto geral quando trouxemos as primeiras amostras para Unit. Pasmem, mas o cidadão humano que era exposto alguns minutos a metros de distância de uma pequena partícula desse metal, entrava em um aparente estado vegetativo temporário (mais tarde explicado como uma EQM – Experiência de Quase Morte) e horas depois retomava seu corpo, relembrando fatos que vira “do outro lado” e até mesmo memórias pretéritas de supostas outras existências. Um tipo de emancipação que, a contragosto dos críticos e céticos, gerou um efeito encadeado que se apresentou pouco a pouco a cada ser inteligente do planeta. Os Elhirem certamente se divertiram com esta nossa “saída forçada do casulo”.

Abriu-se a porta de uma dimensão posterior. Múltiplos despertares, um entendimento mais holístico da trajetória de cada um, entre conquistas, dificuldades e responsabilidades. Passado o “susto” descobriram-se ainda potentes utilidades “comerciais” do material. Os mais conectados lembrar-se-ão do início do séc.XXI (antes da Revolução Galáctica) quando já se armazenava centenas de terabytes em nanoprocessadores de dióxido de silício, germânio ou gálio?

Então, essa liga metálica híbrida contendo o Atmeno, mesclada em proporção 3:1:1 com titânio e grafeno seria capaz de armazenar nossas memórias diárias, sem necessidade alguma de computadores, e ainda termos acesso as nossas trajetórias milenares além da matéria. O usuário solicita e através de uma neurocirurgia é inserido um grão de 5nm (tamanho 20 vezes menor que um vírus qualquer) no centro de sua glândula pineal.

Ela capta todas nossas atividades, decisões, de forma complexa e armazena cópias instantaneamente. Nos tornamos mais conectados novamente como seres humanos, pois a “nuvem” de armazenamento é a mesma para todos, e incorruptível. Tem auxiliado muito as pessoas no ambiente de trabalho, nas universidades e no dia a dia do cidadão comum.

Dizem os engenheiros genéticos por aqui que o número atômico do elemento descoberto guarda intrincada relação com uma teoria de Leonardo de Pisa. A tal Sequência Fibonacci encerraria o conjunto das características que definem as configurações biológicas, os arranjos estelares e a constituição de cada elemento químico conhecido. E agora sabemos que era algo ainda maior do que isso…

“Eu, um universo de átomos, um átomo no universo.” Richard Feynman

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