Sexualidade: Um Ponto de Vista

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Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente. Léon Denis

Tem-se como conceito firmado e largamente aceito de que o orgulho e o egoísmo são as maiores chagas da humanidade. O orgulhoso não sabe conviver com as diferenças, pois é prepotente e se sente superior ao outro, logo almeja que todos sejam iguais, em aparência ou comportamento. O egoísta quer ser atendido de imediato, preferencialmente por pessoas que pensem como eles, a fim de impedir qualquer tipo de conflito. Logo, o ego também é o inverso da indulgência, pois que não tolera diferenças.

Ambos (orgulho e egoísmo) não são adeptos da racionalidade e razoabilidade, deixando-se levar facilmente pelas paixões. Se o sujeito porta esses sentimentos em sua expressão mais exacerbada, desencadeia-se o seguinte pressuposto: “Se as escrituras que considero sagradas dizem em algum momento que o certo é o homem se relacionar com uma mulher, e todo resto deve ser condenado, pronto”. Encontra-se aí o cerne da questão e a sina do orgulhoso: esquecer-se-á todos os demais trechos, principalmente aquele que sugere que devemos “amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Condenarão tudo que lhe é diferente a partir de uma revelação supostamente elevada, em um trecho comodamente moldado conforme seus interesses, de forma erroneamente interpretada se observado o contexto mais abrangente.

O sujeito que se mascara através das chagas destacadas neste preâmbulo, o orgulho e o egoísmo, descontente com a tentativa pugnaz de ultrajarem seus preconceitos, tentará ainda se defender através de um conhecimento supostamente científico: dirão que os caracteres que levam à homossexualidade ou transexualidade seriam “falhas em processos biológicos” ou ainda resultantes da “sinergia entre fatores antrópicos causados pela nossa forma de vida”. Observações estapafúrdias, visto que se observarmos a natureza no âmbito holístico, veremos seres estagiando nos variados reinos, já propensos ou portadores das distintas manifestações sexuais.

Depreende-se que tudo se encadeia na natureza, segundo Léon Denis (1846-1927): do átomo ao arcanjo, e que seres que principiam nos variados reinos da vida hoje, tornar-se-ão espíritos aptos a habitarem corpos cada vez mais complexos e superiores.

Quereria então o sujeito, protagonista deste breve enredo, que condenássemos Deus, por criar infinitos mistérios e diferentes modos de viver ao seu bel-prazer? Este seria o ápice do ego, em contragosto dos argumentos apresentados, a empalar o sujeito em um casulo de nítidas contradições, a nublar os significados mais justos. Ou agradecemos a bendita oportunidade de conviver com aquele que é diferente, uma lição de  humildade que nos evolve rumo a uma nova dimensão de progresso?

Assim conclui-se que a orientação sexual não molda caráter e os valores morais, mas sim nossa educação que os moldam. Caminhemos portanto, neste sentido, para termos opiniões cada vez mais consistentes e uma vida equilibrada com respeito perante às diferenças naturais.

Kalki

Referências Consultadas:

  • Opinião: Sexo, Sexualidade(s) e Espiritismo. Danilo Arnaut. Disponível neste artigo.
  • FAQ do NEFCA – Núcleo Espírita de Filosofia e Ciências Aplicadas. Questão 15.

4 comentários sobre “Sexualidade: Um Ponto de Vista

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