O Peso da Palavra

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Qual o peso de uma palavra?

me refiro àquela

d’um propósito revestida

da que vale, por princípio

ser proferida, ouvida.

 

Se com a voz articulada

não me faço compreender

gesticulo, propago

o inconsciente impulsionado.

 

Argumento da forma mais plausível

objetivos a serem atingidos

– renuncio ao inconcebível –

em vista do plano deferido.

 

Note que a balança

não aceita falácias ou sofisma

jogos do ego ou insegurança…

 

A haste de metal consistente

análoga a um prisma,

reflete a luz do esclarecimento

e se inclina aos justos e conscientes.

 

Muitos logram em burlar sua consistência

com ameaças, subornos e imposições

mundo de formas e aparências!

 

Mas no plano das ideias

dia haverá em que a verdade emergirá

como um incorruptível clarão

– a ofuscar e desintegrar –

diante de sua inexorável razão.

 

Kalki

 

Música #5 – Melhores Álbuns de 2017

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Ahoy mochileiros amantes de boa música!

Esta seção do blog está quase atrofiada, graças aos lançamentos não muito sensacionais do ano que se segue. Apesar disso, já me permito recomendar ao menos 5 álbuns que avaliei sem medo de ser feliz.

kasabian

Começo com o sexto álbum de estúdio da banda de indie rock inglesa, Kasabian. O álbum For Crying Out Loud está gerando um turbilhão de opiniões entre críticos e fãs. Para os críticos do Almusic e do Metacritic o álbum já supera a média 7/10 enquanto no RateYourMusic o mesmo não ocorre, tendo média inferior a 6/10.

Foi nítida a oscilação que a banda sofreu após seu debut Kasabian de 2004 e um sinal de melhora entoado pelo álbum Velociraptor! em 2011. For Crying Out Loud demonstra que a veia da banda é mesmo o Neo-Psychedelia aliado ao indie, sem pender muito ao indietronic. Até o momento é para mim o melhor álbum do ano.

Top5: Comeback Kid, III Ray (The King), Wasted, Twentyfourseven, You’re in Love With a Psycho.

Gênero: Indie Rock, Neo-Psychedelia, BritPop, Alternative Dance.

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Avaliação: 4/5

Na sequência, e não menos merecedora de apreciação e elogios, está a banda norte-americana de folk rock Fleet Foxes. Com seu lançamento Crack-Up, está na quarta posição entre os melhores álbuns do ano na opinião da comunidade de usuários do Rate Your Music, até o momento com média 3,74/5.

FF

Top5: Third of May / Ōdaigahara, If You Need to, Keep Time on Me, Fool’s Errand, Crack-Up, On Another Ocean (January / June).

Gênero: Progressive Folk, Chamber Folk, BritPop, Psychedelic Folk.

1
Avaliação: 4/5

Para encerrar a lista, recomendo 3 álbuns que avaliei com 3,5/5, sendo respectivamente:

Serenidade

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Semeia a paz no pensamento

e a verdade em todas ações

não olvides o discernimento

ante as provas e expiações.

 

Se nasce em ti a escuridão

golpeie a raiz com o contraste

vença a frivolidade e a ilusão.

 

Eleva-te com a luz da razão

além das fronteiras da ignorância

que insistem no combate à intuição.

 

Com disciplina e boa vontade,

erga alicerces em vosso Ser

construa um lúcido alvorecer

de equilíbrio e serenidade.

 

Kalki

 

A Natureza de Deus

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Estavam em uma assembleia vários doutores do conhecimento: físicos, químicos, astrônomos e tantos outros. A discussão ia além de suas certezas acadêmicas, e avançavam rumo a conjecturas existenciais ao desconhecido: a natureza de Deus.

O astrônomo se adiantou: Bom, caso ele exista, imagino que a gravidade seja o tato de Deus, regendo os movimentos de estrelas e planetas, de forma infinitamente perfeita.

O químico incrédulo arriscou um palpite: não creio em Deus. Mas caso ele exista, certamente as leis da termodinâmica são o epicentro de suas emoções e sentimentos.

O físico alimentou o debate. Para Deus, o eletromagnetismo seria seu raciocínio e a força nuclear sua força de vontade para um ciclo ininterrupto de criações e transformações.

Enquanto o assunto fluía, o matemático propôs que deveria existir uma fórmula exata que alinharia todos estes parâmetros e descreveria Deus.

O programador pensava de forma semelhante, mas para ele Deus seria um mainframe de todas as coisas, um sistema formado por algoritmos que regularia cada força fundamental do Universo.

Chegaram a bióloga e o neurocientista e propuseram uma nova direção ao imbróglio: para eles facilitaria o entendimento de Deus se pensarmos no microcosmo e não no macrocosmo. Logo inferiram que as células, principalmente as neuronais, carregariam a natureza e os desígnios de Deus, em sentido e caráter progressivo.

Já o filósofo discursava no âmbito da metafísica, para ele a única forma de abstrair e transcender o entendimento de Deus, sem conceitos e regras, somente sentimentos subjetivos em um panorama de equilíbrio e justiça.

Ao fundo da sala permanecia um poeta, calado e divagando em seus pensamentos. Atento a cada opinião e muito mais, à natureza, aos seres que o circundavam e toda a sua trajetória de vida e conhecimentos obtidos. No momento que sua participação foi requerida, levantou uma pequena folha de seu caderno em que fazia anotações, no que recitou em alta e clara voz:

Se Deus existe e nisto eu insisto,
Ele está em tudo e em todos
No aperto de mão de meu semelhante,
Dizendo-me Aqui estou!

Não como insistem os panteístas
De maneira fragmentada,
Muito menos de forma egoísta
ou personificada.

Mas se Deus é um hausto que a tudo acolhe
Regendo as estrelas e os planetas,
Então não só acredito nele,
Mas Nele estou imerso,
Pois que todo efeito tem causa inteligente,
O que se dirá de nós e do Universo?

Buscamos respostas rebuscadas
E a chancela das escrituras e suas reminiscências,
Mas esquecemos de pequenos gestos…
Que de forma integrada,
Nos alinham aos seus desígnios e essência!

Sem dúvida estou em meio a grandes intelectuais
E a seu conhecimento me curvo,
Mas em matéria de Deus?
Ele está nos mais simples sinais,
E na imensidão de suas criações
A tentar explicá-lo eu não me atreveria,
Em cada progresso, sentimentos e suas conexões…
Só me rejubilo em proclamar

És Infinita Sabedoria.

Kalki

Lux Aeterna 

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Fixado em seu semblante

moldado em genes e memórias

sublime trajetória

de um coração triunfante.

 

Observa sem vislumbre

 

Olhar controverso

reflete conquistas e temores

propósitos com fervores

a explorar o Universo.

 

Transforma cada perspectiva

 

Sua voz, cântico a enternecer

rimas em osmose reversa

une os versos

com sintonia a transcender.

 

Propaga seus desígnios

 

Eloquente e incandescente

argumentos refinados

eclodem entoados

em supernova iridescente.

 

Backpacker

 

 

 

Helvüs

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Helvüs é um sociólogo, desenhista e escritor alemão. Nasceu em Dortmund no ano de 1987. Atualmente é doutorando em Filosofia e vive no Brasil.

Seus textos convidam à reflexão sobre o comportamento humano e às vezes com certa angústia, as necessidades de mudanças na sociedade. Esse sentimento é retratado em um dos seus poemas mais conhecidos, Acordes do Sertão.

Escreve poemas também em forma de odes ou homenagens, a personalidades que fizeram parte de sua história, ou ainda para personagens fictícios da literatura e do cinema, como é o caso de Atalho, obra inspirada na personagem Amélie Poulain.

Você poderá acompanhar suas publicações nas seções deste blog.

Backpacker

Bpacker

Backpacker foi engenheiro e escritor. Nascido em 1887, na cidade de Białystok (Polônia), mas passou grande parte de sua vida na Inglaterra, especialmente em Londres. Se especializou nas áreas ambiental e elétrica, tendo dado prosseguimento a diversos experimentos criados por Nikola Tesla. Desencarnou em 1949, vítima de um infarto fulminante.

Era visto sempre perambulando pelos pubs ingleses e tinha afeição por cervejas weiss (alemãs ou polonesas) e stout (inglesas ou belgas). Também era fã de contos de investigação e ficção científica, no que se dedicou boa parte de suas obras.

No âmbito poético, escrevia sob este pseudônimo. Romântico por natureza, remetia-se sempre ao passado com nostalgia e intensidade. Em The Battle of Hales conhecemos seu tom humorado e criatividade.

Sua poesia exalava amores vividos, outros tantos não correspondidos ou recíprocos. Ainda assim, exaltou uma faceta habilmente otimista de suas experiências.

Ele escondia seus escritos em uma gaveta de escritório. Não se sabe se por timidez ou outros motivos. Suas obras vieram a público através de uma companheira de trabalho, que as encontrou e publicou nas seções deste blog.

Kalki

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Kalki é um viajante do futuro. Nascido em 3071, na cidade de Tokyo, estudou diversas doutrinas, entre elas o Hinduísmo, o Budismo e o Espiritismo.

Se tornou um monge e um mestre das artes marciais. É ainda um grande arqueiro e espadachim, líder de um movimento de resistência contra o capitalismo em sua época.

Nas horas vagas, escreve poesias sob este pseudônimo que ele adotou, referente ao seu conhecimento hindu:

Kalki é uma figura da religião Hindu. Trata-se do décimo e último grande avatar de Vishnu. Seu nome é frequentemente tomado como metáfora para “eternidade”, “tempo” ou “a morte” relacionado ao futuro e a morte. Segundo os preceitos do hinduísmo, Kalki viria montado em um cavalo branco e desembainhando uma espada flamejante no fim da idade da escuridão, ou Era de Ferro (Kali Yuga) para eliminar o mal e fazer a restauração do Dharma.

Sua poesia transpira espiritualidade, sempre em tom sereno de orientação.

Ele acredita que seus textos  levam a profundas reflexões e podem transformar a humanidade. Segundo suas convicções, seu cavalo branco nada mais é que uma analogia para sua inteligência e raciocínio e sua espada flamejante, as virtudes morais e a intuição que ele empreende em seus ensinos. A obra que mais o dignifica talvez seja A Natureza de Deus.

Você poderá acompanhar os escritos dele nas seções de poesia, contos e pensamentos.

 

Mystery Blogger Award

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Ahoy mochileiros da periferia da Via Láctea!

O inverno está chegando e não é de Game of Thrones que estou falando… a blogosfera está cada vez mais conectada  e motivada para uma jornada intergalática aos confins do Universo, pelo menos no pensamento.

Vou agradecer primeiramente ao Sandro Ernesto (Panografias) e à Fernanda Leal (Essência), por mais duas indicações ao Versatile Blogger Award! A poesia de ambos é inspiradora e agradeço a oportunidade de ter conhecido o blog de vocês. Deixo linkado para que todos meus contatos também possam conhecê-los!

Nesta semana recebi indicação de duas queridas a um formato diferente e misterioso de premiação: A Juliana Souza do Blog da Patinatrix e a Anna Bergo de Caos no Quarto. Agradeço-as imensamente pela lembrança e é recíproca minha admiração por vocês.

Mas do que se trata o M.B.A?

“O ‘Mystery Blogger Award’ é um prêmio para blogueiros incríveis com postagens engenhosas. Seu blog não só cativa; ele inspira e motiva. Eles são um dos melhores e eles merecem todo reconhecimento que eles conseguem. Este prêmio também é para blogueiros que acham diversão e inspiração em blogs e fazem isso com tanto amor e paixão”. (Okoto Enigma)

Seguindo a tradição do prêmio, após os agradecimentos segue uma lista de ações a realizar:

— Nomeie até 10 pessoas;

Assim como a Anna propôs, indicarei 10 blogs diferentes daqueles que indiquei ao VBA, e deixo-os à vontade para participarem ou não da brincadeira. São meus indicados, respectivamente:

1 – Lemniscatas que giram – lemniscatusgyrare.wordpress.com

2 – Uma Julieta moderna – umajulietamoderna.wordpress.com

3 – By Jô – foryoubyjo.wordpress.com

4 – Labirinto Radical – labirintoradical.wordpress.com

5 – Compondo pássaros e silêncios – passarosesilencios.wordpress.com

6 – Rezenhando – rezenhando.wordpress.com

7 – Apoesiadamente apoesiadamente.wordpress.com

8 – Pecados de Annalu luamorimblog.wordpress.com

9 – Devaneios e Poesias – devaneiosepoesias.wordpress.com

10 – Poesias e Cia – anadelourdes.wordpress.com

— Peça a seus candidatos que respondam cinco questões de sua escolha;

Vou responder em uma tacada só as perguntas da Ju (verde) e da Anna (vermelho), e em seguida propor minhas questões aos indicados:

1.Qual sua palavra favorita em português?

Sabedoria. (Não só por ser uma palavra bonita, mas pelo que ela representa, em termos de intelecto e moralidade)

2.Supondo que você, pão de queijo e batata frita fiquem presos em um barco que só tem lugar para você e mais um dos dois, quem você jogará no mar?

(Muitos risos) A genética mineira não dá margem para dúvidas: lançaria a batata frita aos golfinhos. PÃO DE QUEIJO é PÃO DE QUEIJO, sacou?

3.Você lava a mão toda vez que sai do banheiro?

(kkkkkkk) As duas.

4.Qual sua idade mental? Seja sincero.

Difícil essa, mais fácil ser respondida por quem convive conosco. Mas diria que é minha idade real nesta existência, quase 30 (com muitos aspectos a serem melhorados ainda, como Espírito e Ser humano). Embora acredite que nossa vida não se resume a esta existência, penso que todos temos alguns milhões de anos :p

5.Há vida mais inteligente em outros planetas?

Estou fortemente convicto que sim. E ilustro com este vídeo, nas palavras de Neil Tyson como são meus pensamentos à respeito.

1.Qual personagem infantil predileto, pode ser de filme, quadrinhos ou livros e porquê a predileção.

Goku (Dragon Ball), por ter morrido duas vezes (ou três?) pra salvar a humanidade. Seya ficará com inveja, mas ele é um chorão que só fica gritando Saori-San!!!

2.A cada dia vivido considera “mais um dia de vida” ou “menos um dia de vida”?

Menos um dia de existência, mais um de experiência 🙂

3.Se pudesse adquirir habilidades de algum personagem de livro qual escolheria?

Elementar, minha cara. Sherlock Holmes.

4.Se tivesse que escolher hoje epitáfio, qual seria?

Essa me pegou. Se puder ser algo plagiado, seria nas palavras de Rorschach “Nunca se corrompa, nem mesmo diante do Armageddon.” Se for autoral, “Um Espírito Livre”.

5.Se tivesse a oportunidade de transmitir uma mensagem para o mundo todo, o que diria?

Que continuem travando suas batalhas individuais com força e coragem, pois nossas responsabilidades serão cada vez maiores.

Minhas questões aos indicados:

1 – Você acredita em vida após a morte? Justifique sua resposta.

2 – Qual seu livro predileto?

3 – Qual sua música favorita?

4 – Já recitou um poema romântico a uma pessoa amada? Como foi a sensação?

5 – Se pudesse viajar hoje, iria para onde?

— Conte a seus leitores 3 coisas sobre você

1 – Nasci em Monte Carmelo – MG em 1987, mas resido em Ribeirão Preto – SP desde a infância. (De vez em quando mando uns “uai” ou “trem”);

2 – Gosto muito de cerveja de trigo, talvez mais do que pão de queijo. A combinação dos dois causa um êxtase difícil de explicar, só provando pra sentir;

3 – Sou corinthiano (é, todos temos nossos defeitos…) e líder do brasileirão. Pelo menos até quarta-feira.

— Compartilhe um link para sua melhor postagem.

PULSAR – Foi um dos meus primeiros poemas e escrito para uma pessoa especial.

Sir Arthur Conan Doyle

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Em um raro registro em vídeo datado de 1927, o autor e cientista Arthur Conan Doyle fala um pouco de sua trajetória como escritor dos contos do famoso detetive Sherlock Holmes, com detalhes de como ele inseriu seu conhecimento com métodos científicos e raciocínio dedutivo em suas histórias, tornando-as didáticas, coerentes e inteligentes, resultando no reconhecimento de seus contos, que perduram até hoje.

Detalhes curiosos e engraçados, como a crença de que o personagem Sherlock era um ser humano real, rendendo cartas e mais cartas endereçadas a Doyle, questionando sobre o cotidiano e os afazeres do detetive e seu parceiro Watson.

Já a partir dos 5:07min Doyle trata dos assuntos psíquicos, que foram sua prioridade de pesquisa por mais de 40 anos, que culminaram na publicação da obra A História do Espiritismo. De forma humilde, ele se classifica apenas como um “gramofone” de divulgação do conhecimento espírita e espiritualista, a que se dedicou como seu propósito mais elevado.

UMA BREVE BIOGRAFIA DE SIR ARTHUR CONAN DOYLE

Nasceu 1859 – Faleceu em 7 de Julho de 1930, aos 71 anos – Parada cardíaca;

Era atleta amador: jogador de futebol, criquete, natação, box, equitação, etc;

Escreveu 60 livros, 10 dos quais relacionados à realidade espiritual, 12 de Sherlock Holmes;

Membro da The London Spiritualist Aliiance – The College of Psychic Science (1955) e The College of Psychic Studies (1970);

Depois de sua morte, teria aparecido em espírito em reunião privada na casa de Mrs Osborne Leonard, em 1937, a única que a família confirmou com autêntica.

ACONTECIMENTOS NOTÁVEIS

Em 1876, envolveu-se no caso George Edalji, advogado de origem indiana, alvo de preconceito racial, que foi acusado injustamente de ter sacrificado, de forma brutal, vários animais numa provinciana região inglesa. Ele escreveu da prisão para o detetive Sherlock Holmes e teve caso elucidado pelo próprio Sir Arthur, que levantou todos os erros feitos durante o julgamento. Logo em seguida, utilizando seu nome e sua conceituada visibilidade em jornais para causar um polêmica de repercussão nacional. Essa história é contada no romance Arthur & George, de Julian Barnes.

Em 1909, Oscar Slater, um judeu alemão, foi setenciado a morte pelo assassinato de Marion Gilchrist. Doyle investigou o caso, descobriu novas evidências, ouviu testemunhas ignoradas pelo promotor público e publicou um livro com um apelo ao perdão. O caso ficou conhecido como um dos mais escandalosos erros da justiça escocesa.

HISTÓRIA DO ESPIRITUALISMO

Considerado o “São Paulo do Espiritualismo”, Conan Doyle deixou a tradição católica jurando que nunca mais acreditaria em nada que não pudesse ser provado. Era materialista, mas acreditava em uma força inteligente por trás do universo, embora não na sobrevivência da alma após a morte. Fez muitas brincadeiras com os crédulos, com os que acreditavam em “fantasmas”, na vida após a morte, e inclusive, por meio de Sherlock Holmes, chegou a recomendar um polêmico livro que achincalhava a crença na realidade espiritual. Sentia, contudo, um vazio interior.

Em 1880 Conan Doyle começou a participar de palestras sobre espiritualismo e, reuniões mediúnicas, assunto sobre o qual escreveu um artigo para a revista espiritualista The Light contando sobre uma reunião mediúnica onde um médium o aconselhou – ‘Não leia o livro de Leigh Hunt’. Ninguém mais sabia que ele estava debatendo consigo mesmo se deveria ou não ler o Comic Dramatists of the Restoration, do autor citado pela entidade. Considerou, na época, evidência de telepatia e continuou estudando o fenômeno.

Só em 1887 ele declarou-se convertido ao Espiritualismo, em cartas escritas ao editor da revista Light, depois de ler e ponderar sobre livros de John W. Edmonds, Camille Flammarion, Alfred Russel Wallace e Alfred Drayson. Querendo atestar o que esses escritores que tanto respeitava haviam visto, ele organizou sessões de mesas girantes e mediunidade. No entanto, apenas em 1916 ele começou a divulgar o Espiritualismo, por causa da guerra. O primeiro livro sobre o assunto, The New Revelation, foi publicado em 1918.

Não era médium, mas teve várias experiências que o convenceram. Disse que apenas lunáticos não acreditariam tendo a evidência que ele teve. Ouviu “a voz inconfundível do filho”, viu a mãe e o sobrinho “tão nítidos como sempre os vi em vida!”

No polêmico livro “A Chegada das Fadas” (1921) reproduziu teorias sobre a natureza e a existência de fadas e espíritos.

Em 1924 traduziu o livro de Leon Denis – Jeanne D’Arc Medium (Paris: Librairie des Sciences Psychiques, 1910).

Em 1926, publicou The History of Spiritualism, onde apresenta o Espiritualismo em perspectiva histórica. Esse livro foi traduzido no Brasil como “A História do Espiritismo”, embora trace o histórico do movimento espiritualista como um todo.

Em 1928 demitiu-se da London Spiritualist Alliance, da qual tinha sido presidente, e no princípio de 1930 saíu da Society for Psychic Research. Para os detratores do Espiritualismo, essa demissão, pouco antes de sua morte, significaria que Doyle teria renegado a filosofia. No entanto, a saída dele deve-se ao fato de que Conan Doyle achava que ambas as sociedades estavam a ser demasiadamente rigorosas nos seus critérios, engessando o Espiritualismo e impedindo o seu avanço.

Prova do contrário é que ainda na semana anterior à sua morte, Doyle integrou uma delegação que foi requerer ao Home Office, ministério do interior britânico, a revogação do Witchcraft Act – ou Ato da Bruxaria – lei de 1733 que originalmente visava reprimir a feitiçaria e a vagabundagem, mas que nas últimas décadas do séc XIX e nas primeiras do séc XX foi usada pelas autoridades britânicas para condenar um grande número de médiums.

Como Allan Kardec, Conan Doyle acreditava que o Espiritualismo era ciência, filosofia e religião – tinha um respeito profundo por Jesus, que considerou o homem e o médium mais perfeito a descer na terra. “Não há nada que exija mais dedução do que a religião… ela pode ser construída como ciência exata por aquele que usar a razão”.

OBITUÁRIO

O obituário de Conan Doyle, publicado na Time Magazine na segunda-feira, 31 de março de 1930, mostra o uso das palavras Spiritist’ e ‘Spiritism’ para descrever suas crenças, em vez de ‘Spiritualist’ e ‘Spiritualism’. Não sabemos se isso se deve ao fato de Conan Doyle ter usado mais o termo em palestras proferidas nos últimos anos de sua vida ou em entrevistas, mas conversas entre ele e a irmã, registradas no livro Arthur & George, de Julian Barnes, mostram que ele usava as palavras ‘Spiritist’ e ‘Spiritism’, assim como ‘Spiritualist’ e ‘Spiritualism’. A tradução a seguir é nossa para os trechos relevantes, destacados na apresentação:

Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes e espírita notável, morreu hoje em sua casa, Windlesham, em Crowborough, Sussex. Ele tinha 71 anos. (…)
Ao seu lado quando faleceu estava Lady Doyle, seus dois filhos e filha. A doença de Sir Arthur era atribuída ao trabalho na Escandinávia em outubro passado, quando deu uma série de palestras sobre o espiritismo.(…)
Não havia nenhuma dúvida na mente de Sir Arthur sobre a existência dos espíritos. Uma de suas provas da existência dos espíritos era uma enorme fotografia de si mesmo que mostrava o rosto de seu filho morto olhando por cima do ombro. Ele mostrou essa imagem para o correspondente e disse, simplesmente:
“Eu mesmo controlei a placa da foto. Ninguém mais a tocou. Como as pessoas podem duvidar quando se tem uma prova como essa?”
Pouco tempo atrás, Sir Arthur disse:
“Comprometo a minha honra na veracidade do espiritismo, e eu sei que o espiritismo é infinitamente mais importante do que a literatura, arte, política, ou em qualquer fato no mundo.”
(…) Mas de todos os seus vários trabalhos, Sir Arthur considerou sua devoção ao espiritismo, que ocupou a maior parte do seu tempo após a guerra, como o esforço mais importante de sua vida. (…)
Seu filho, da primeira esposa,  foi morto na  Primeira Guerra Mundial, e foi essa tragédia a grande responsável para o interesse quase exclusivo de Sir Arthur no espiritismo, durante seus últimos anos. (…)
Nos últimos anos, ele dedicou praticamente todo seu tempo à propagação do espiritismo, e foi reconhecido como um dos grandes líderes da crença do mundo. Por causa de sua associação com esta cruzada que ele próprio caracterizou como um impopular, ele gradualmente perdeu alguns de seus velhos amigos do tempo da literatura, que não viam nenhuma força no espiritismo e tendiam a vê-lo como um excêntrico. (…)
Ele até abriu uma “livraria psíquica” e um museu espírita em Victoria Street, à sombra da Abadia de Westminster. Lá ele criou um centro para a literatura espírita e distribuía em boa parte do mundo.”

REFERÊNCIAS

Blog da Sociedade Espírita Sir Arthur Conan Doyle (Londres, 2007)