Música #3

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O ano de 2017 não começou lá muito empolgante para os amantes do rock e subgêneros, exceto pelo retorno convincente do The XX em seu terceiro disco I See You, que retomou as expectativas com aquele indietronic caracterizado em seu debut de 2009.

Sem me alongar, deixo para apreciação o álbum completo e minha breve análise. Em breve os analisarei com calma ao vivo xD

Faixas favoritas: Say something loving, On hold, Dangerous, A Violent noise, Brave for you.
Gênero: Indietronic, Future Garage, Dream Pop, UK Bass, Microhouse.
Avaliação: 3,5/5

Mas a manchete dessa postagem vai ficar por conta da incursão pela música nacional que fiz nos meses de dezembro e janeiro, por indicação dos amigos. Não me arrependi. Seguem respectivamente os álbuns mais surpreendentes que conheci neste período:

Chico Buarque – Construção (1971)

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Um dos maiores ícones do MPB nacional, além de músico é dramaturgo e escritor brasileiro, tendo nascido em 1944 no Rio de Janeiro. Ganhou destaque vencendo vários festivais de música popular brasileira e foi um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização no país.

Faixas favoritas: Construção, Cotidiano, Deus lhe pague, Desalento e Cordão.
Gênero: MPB, Samba, Samba-canção, Bossa Nova.
Avaliação: 5/5

Novos Baianos – Acabou Chorare (1972)

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Novos Baianos é um conjunto musical brasileiro, formado na Bahia, que atingiu seu auge entre os anos de 1969 e 1979 e que se reuniu novamente em 2016. Eles marcaram a música popular brasileira e até o rock brasileiro dos anos 70, utilizando-se de vários ritmos musicais brasileiros que vão de bossa nova, frevo, baião, choro, afoxé ao rock n’ roll. Segundo a Revista Rolling Stones é o melhor disco do Brasil de todos os tempos.

Faixas favoritas: Tinindo Trincando, Acabou Chorare, Brasil Pandeiro, Preta Pretinha, Besta é Tu.
Gênero: MPB, Samba, Samba-Rock, Tropicália, Frevo, Psychedelic Rock
Avaliação: 4/5

Metá Metá – Metá Metá (2011)

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Metá Metá é uma banda de jazz de São Paulo criada em 2008 e formada pelo trio Juçara Marçal (voz), Kiko Dinucci (guitarra) e Thiago França (saxofone).

É considerado um dos grupos mais prestigiados e representativos do recente cenário musical brasileiro. O nome significa “três em um” em iorubá e o trio trabalha com a diversidade de gêneros musicais brasileiros, utilizando arranjos econômicos que ressaltam elementos melódicos e signos da música de influência africana no mundo.

Vencedores de dois prêmios no Prêmio Multishow da Música Brasileira (2013 e 2015) e eleito como um dos dez melhores shows de 2015 pelo Jornal O Globo.

Faixas favoritas: Vale do Jucá, Trovoa, Papel Sulfite, Vias de Fato, Umbigada.
Gênero: Vanguarda paulista, Jazz-Rock, MPB
Avaliação: 4/5

Cabe por fim uma menção honrosa ao compositor Geraldo Vandré, advogado, cantor, compositor, poeta e violonista brasileiro, conhecido por ser um dos nomes mais célebres da música popular brasileira. Conheci os álbuns Das Terras de Benvirá e Canto Geral, ambos bem avaliados entre 3,5 e 4. Porém, na minha opinião, talvez a música mais marcante da música brasileira, não só por sua importância na época do regime militar, mas também para a posteridade, no intuito de um grito ecoando pelos tempos, para que não deixemos que os erros do passado sejam cometidos novamente… deixo como fim deste post musical:

Jornada

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Muitas vezes pensamos que nossas escolhas são permanentes.

Ajustamo-nos, como um trem em curso à velocidade constante, ou não tão constante assim.

Apreciamos a beleza da viagem, conforme nosso discernimento e a como nos convém, sendo que por vezes decidimos parar em determinada estação.

Nos sintonizamos a ela, desejosos por recursos, subsídios e combustível para prosseguir a jornada que é longa, talvez eterna.

A parada pode ser mais ou menos longa, contanto que no “final” seja algo a agradecer e não se arrepender.

O caminho é sempre alterado, de forma mais ou menos brusca, mas o importante é continuarmos em movimento, carregando somente a bagagem que será útil adiante.

A entropia, a brevidade do tempo, o livre-arbítrio… não respeitam nossos anseios. Nos lapidam para nos tornarmos cada vez mais fortes e preparados para maiores responsabilidades.

Já possuímos instrumentos suficientes para sermos mais felizes nesta corrida pela nossa melhor versão:

A meditação, que nos brinda com o autoconhecimento e desperta cada vez mais a consciência.

A memória, que nos convida à reflexão, do que já conquistamos e do que ainda podemos melhorar.

A aptidão e a força de vontade para o estudo de diversas ciências e filosofias.

A argumentação que denota nosso conhecimento e caráter.

A sabedoria em sentirmos que às vezes é necessário silenciar.

O arrependimento, que auxilia a reparação e alavanca nossa transformação.

A gratidão que devemos alimentar por todos estes valores e momentos ao orar.

 

Não percebemos por vezes, mas tudo se conecta

Um simples momento percebido e assimilado…

Sensações engatilham e ativam atributos de um Eu Superior

que se identifica e reflete em suas criações.

 

Kalki

Sentido

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Uma voz anuncia ao transeunte:

é preciso transformação!

Ninguém ouve, estão todos surdos.

perdidos em seus pensamentos,

e em seus fones de última geração.

 

A voz, aturdida, muda sua estratégia:

se manifesta como um cheiro que exala corrupção.

Ninguém sente, estão todos com anosmia,

seus futuros estão sendo assinalados em negociação…

mas só percebem o aroma de suas refeições.

 

Em súbita intuição, a voz se apresenta como tato peculiar,

se agita visceralmente nas manifestações…

agora sim, apoiada pelas massas!

Mas ninguém é tocado de verdade, estão todos dormentes.

são só reflexos de suas próprias insatisfações.

 

Quase a sucumbir, a voz toma aparência visível

se propaga em todas mídias, denunciando os impactos na natureza.

Urge uma mudança de comportamento, sua tática foi infalível…

Ninguém vê, estão todos cegos!

só olham seus celulares, blindados pelas suas certezas.

 

A voz chora aos prantos,

se dilui em gosto amargo de lamento

e chega a duvidar do sentido da vida.

Todos agora sentem, os dissabores do arrependimento!

nunca é tarde para a mudança

enfim ela foi ouvida.

Kalki

Sonho Lúcido (Parte 2)

A monochrome rainbow in a red sky

Acompanhei aquele ser robótico simpático. Adentramos a um circuito de esteiras horizontais que rapidamente nos levava ao destino. Nem imaginava o que ou quem encontraria, mas diante de tanta tecnologia avançada e aquele ambiente que falava por si só, concluí que tudo aquilo deveria ser uma engenharia complexa mantida por seres muito superiores a nós. E, de fato eu não estava errado…as surpresas não parariam por ali.

Aportamos após o célere transporte em um gigantesco salão oval, com colunas que intimidariam até a Biblioteca de Alexandria.

Em um púlpito me aguardava o anfitrião, aos poucos pude ver seu semblante. Quem pensa em um ser alienígena já imagina aquelas criaturas horrendas de Falling Skies, mas não era o caso.

     – Estava esperando por você, meu caro. Disse, sereno.

Um ser de aspecto humano, mas muito mais sutil e refinado. Uma centelha energética pulsava sobre suas vestes, como que controlando todo aquele ambiente ao redor. Aos poucos o salão começou a se transformar, tomando a aparência de um pub inglês, daqueles que costumo frequentar. E ao fundo, fui ouvindo os acordes iniciais de uma de minhas músicas favoritas… Stairway to Heaven…que recepção! Pensei.

     – Espero que não se assuste, lhe agrada esta música e este local? Encontrei nos seus pensamentos, que são como um livro aberto para mim. Sinta-se à vontade para conversarmos. Sorriu levemente.

Eu estava ao mesmo tempo extasiado e paralisado com toda aquela “mágica” e curioso para compreender seus mecanismos. Mas não tive tempo de arriscar uma pergunta, pois ele mudou o rumo do assunto para um tom mais sério:

     – Agora que está ambientado, vou ir direto ao ponto Julliano. Lhe trouxemos para cá através de seu sono, assim que as circunstâncias se tornaram possíveis. Não será a primeira nem a última vez. Temos observado seu planeta há milênios, não como um entretenimento vazio…nosso intuito é vê-los crescendo espiritualmente, até alcançarem o próximo nível.

     – Próximo nível? Sussurrei.

     – Sim, mochileiro. Tudo se encadeia no universo, quanto mais avançamos em intelecto e moral atingimos novos patamares de espiritualidade, e respectivamente, novas realidades se abrem para nosso progresso contínuo.

     – Gênios que passaram pela Terra: Sócrates, Platão, Einstein, Tesla…tantos outros que deixaram seus exemplos… agora estão por aqui, em novo ritmo de aprendizado.

Eu continuava atento e perplexo com tanta nova informação.

     – Você não se emocionou com a sinfonia de Mozart ao se aproximar do nosso orbe? Sim, ele está aqui. E através de seus pensamentos ele controla a natureza que, em conjunto, vibra e emana as melodias mais belas.

     – E Jesus? Não consegui resistir à pergunta.

     – Seria muito para sua mente assimilar agora. Vamos voltar ao tema-chave de nossa conversa. A Terra é um dos muito projetos dessa galáxia, uma escala…ou estágio, previsto para abrigar em harmonia pelo menos 50 bilhões de seres até o que vocês consideram como ano 3000…

     – E então, está tudo se encaminhando? Argui, receoso da resposta.

     – Não é bem assim. Não há um destino programado, há um planejamento dos engenheiros intergaláticos. Mas o livre-arbítrio, as escolhas de cada um em suas posições, interferem e moldam consequências, muitas delas difíceis de serem sanadas. O ser humano ainda é apegado às paixões da matéria, em sua maioria superficiais, ideologias controversas no campo da religião, política e até ciência! Vocês se perdem em futilidades, e não cuidam direito do próprio ambiente… e nesse ínterim chego ao cerne da questão…

     – As mudanças climáticas? Deduzi.

     – Exato. Acionamos nosso simulador hiperdimensional tempo vs espaço, e o prognóstico não foi animador. Saltamos para um cenário do ano de 2148 e encontramos a superfície do planeta estéril, morta como a de Marte (nossa tentativa de projeto anterior). Sobraram só rios ácidos e uma superfície radioativa, em níveis que impedem a manutenção de vida inteligente em seu estágio.

     – Outra guerra mundial??? Bati na testa, inconformado.

     – Infelizmente…e mais do que isso, se vocês persistirem com este padrão atual de produção e consumo… e essa linha de pensamentos egocêntricos…

      – Há um ponto positivo a ressaltar, desta probabilidade simulada. Encontramos um satélite chinês próximo a um cinturão de asteroides, já sem funcionamento e desgastado pelos impactos. Mas havia um disco encriptado, e seu conteúdo era uma foto da Terra tirada da antiga estação espacial, datada de 2135, com a seguinte mensagem de autoria desconhecida:

ate-17-02
Pintura em tela de Túlio Dias

Não faltaram alertas e previsões

A mudança climática  era iminente

Mas a ganância  não tinha medida

Impactados antropicamente

Carregaremos a culpa…

Imediatismo que abriu uma ferida

Pelas próximas gerações

 

Nos restou um rio acidificado

Oxigênio…nem mesmo um traço

Até mesmo as espécies mais resistentes

Desvaneceram no solo árido degradado

Impávidos  e resilientes

Conquistamos o espaço

 

Estamos a mercê de  nossa sorte,

Pois o mérito não acompanhou nossa convivência.

Em nossa próxima morada, seguiremos este norte:

Valorizar como prioridade a ciência

E acima de tudo, cultivar valores morais

Igualdade, liberdade e fraternidade…

     – Eles resistiriam?

    – Estamos convictos de que não haveria essa possibilidade, mas seria um avanço, sem dúvida! Para sua estrutura biológica atual, o planeta habitável mais próximo está à 7 anos-luz e sua tecnologia atual não suportaria uma viagem tão longa. Vocês sequer desenvolveram os propulsores FTL que persistimos em intuir para suas histórias sci-fi…

 A esta altura perguntas fervilhavam em minha mente…e eu não sabia quanto tempo teria antes de acordar. Tentei avançar para uma possível conclusão:

     – E o que eu, um humano comum, fora de qualquer posição de autoridade neste mundo, poderia fazer para evitar esta catástrofe?

[Continua…]

Kalki

Quem sou eu?

 

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3…2…1…

Solucione esta equação misteriosa:
o veículo seguiu celeremente para Wembley
com sorte chegaríamos em tempo para avaliar os vestígios.

Houve um crime premeditado. Despertara minha arguta astúcia, a propósito.

Era uma tela de Rembrandt, avaliada em 20 milhões de libras, notificaram-me.

Retrato de um homem, 1652. Como podem valorizar tanto uma pintura? Já fiz coisa melhor em meu hall de experimentação. Pensei: eram profissionais…talvez os irmãos holandeses que insistem em nos provocar com suas táticas previsíveis. Isso está ficando interessante…prossegui observando a cena em meio ao meu estratagema lúdico.

Lânguido por não encontrar uma pista coerente, enfim deduzi coordenadas habilmente refletidas em uma marca d’água, inserida em um rodapé próximo ao local da obra furtada.

Outra viagem nos esperava, rumo à Sheffield.

Cavei por quase três metros no ponto indicado…era a busca incessante pelo pote de ouro no fim do arco-íris, concluíra. Tudo faria sentido à partir da informação que encontrasse, estava gostando daquele jogo.

Kant foi o único nome encontrado, em seu livro empoeirado: O único argumento possível para uma demonstração da existência de Deus, 1763.

Havia algum detalhe a escapar de minha análise robusta e concisa…

Outrora eu via as resoluções em telas projetadas de meus pensamentos. Ou números. É isso! Números… Rembrandt 1652… Kant 1763… sussurrei: esperem. Trata-se de um código. R1652-K1763… é a numeração do carro da rainha! Estão planejando um crime de proporções imensuráveis!

Logo presumi, o roubo e as pistas foram só fachada para nos entreter, pois o verdadeiro crime está para acontecer!

Minha dedução lógica nunca falha, chamem a guarda imperial!

Enfim seremos reconhecidos em nível nacional, quiçá mundial, disse meu parceiro. Retornemos À capital, temos mais casos pendentes, rebati. Talvez uma stout para comemorar? Insistiu.

Somente uma, então… quero estar sóbrio e lúcido. O pior pode estar por vir e deveremos nos manter preparados…

Backpacker

 

Obs: Descobriu quem sou eu?Minha identidade pode ser vista no próprio texto, reunindo as letras maiúsculas que encabeçam cada parágrafo. Deixei-as em negrito para facilitar ainda mais… xD

 

nota

 

Espero que tenha gostado deste enredo. É minha breve homenagem à Sir Arthur Conan Doyle e ao encerramento de uma de minhas séries favoritas, inspiradas na obra dele.