Black & White

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Creepy Rorschach – Personagem do Filme Watchmen (2009) – Arte de 29/09/2016
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Iron Man / O Homem de Ferro – Personagem da Marvel (2016)
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Dark Knight (Titã) – Personagem reproduzido do jogo Destiny/Bungie (2016)
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Aiolia – Personagem de Cavaleiros do Zodíaco (2005)
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Nikola Tesla – Reproduzido na nota de 100 dinares sérvios (2007)

The Battle of Hales

Há muito tempo que o meu axioma é de que as pequenas coisas são infinitamente as mais importantes.

Sir Arthur Conan Doyle

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21 horas. Sinto uma certa angústia bater, a rotina perde o sentido. Mecanicidade me perturba, quero novos desafios…algo edificante, alguém. Os ponteiros avançam celeremente, o tempo é general da entropia e não perdoa procrastinadores.

Avanço pela região central londrina sem saber ao certo meu destino. Uma movimentação me chama atenção. É o Hales, grande pub da cidade, recheado de boêmios entupidos de grana e uísque. Belas donzelas se arrastando penosamente a lhes angariar atenção.

Todas cadeiras ocupadas, me encosto no balcão. Uma caneca de guiness salpicada com uma dose de bailey. Tento me entreter com uma banda sem sal e desafinada. Qualquer coisa para me desviar a atenção, por favor!

Na outra ponta do balcão, uma jovem me fita com seus olhos arregalados. Parece entediada como eu. Quase meia noite e o bar lotado, missão impossível me locomover até ela. Mando um barman entregar uma cortesia, um espumante acompanhado de um bilhete:

— Na tentativa de adoçar o instante, com prazer lhe envio este espumante. Sherlock

Ao ler ela sorri disfarçadamente. Não sei se de deboche ou agucei sua curiosidade. Passam alguns minutos e recebo uma resposta:

— Que rima mais sem graça! Beba mais cerveja que a vergonha passa…

Ah, uma batalha de rimas? Ponto alto da noite. Vou aderir ao certame. Novo envio e o barman já me encara irritado, mas entrega mesmo assim.

— Toda graça parece estar concentrada em um só lugar, seu semblante e o seu olhar…

Novo sorriso, agora aparenta certa sapiência e desenvoltura.

— Agora estimas minha aparência, em detrimento de minha essência?

A cada bilhete mais interesse por esta mulher misteriosa.

— Uma bela flor, de inestimável vigor, só pode conter uma seiva de inigualável sabor.

O tempo passara e eu nem vi, hipnotizava-me aquela personalidade excêntrica, que contrastava com o ambiente monótono. Recebo mais uma resposta ácida:

—  Conheço Lord Byron de trás para frente, esqueça o corpo e foque na mente!

Enfim me aproximo para me apresentar. Deve ter sido a palavra mente entoada com tanto mistério, aguçou ainda mais meu interesse. Quando chego ao outro lado, ela desapareceu. Deixou um último recado:

— Da próxima vez não seja tão entediante. E me pague uma cerveja de trigo, não espumante! 

E foi assim que conheci você… Irene Adler.

Backpacker

Backpacker’s Diary

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Backpacker‘s Diary, October 1st, 1908

Preparei meu Bourbon, liguei o gramofone e recostei-me na poltrona. John Dowland é meu artista favorito desde a adolescência. Sua obra-prima Sick Tune me faz recordar a leveza e a irresponsabilidade da juventude.

Estamos em meados de 1908 e o inverno tem sido rigoroso. A lenha se esfacela em brasas, estalos que se integram à angústia de John e suas cordas mágicas.

O primeiro gole desliza suavemente enquanto reflito e recordo sensações de um passado não tão distante. Vamos ao imbróglio.

Monitoro um núcleo científico da Universidade de Sheffield onde prosseguimos com diversos planos de Tesla, entre eles um dispositivo eletromagnético chamado transmissor de ampliação. A ideia é operá-la como um centro de transmissão de energia sem cabos conectores, radiodifusão e telefonia.

O custo para o governo é de 25000 libras esterlinas ao mês, o que cobre meus honorários e de minha assistente Louise, além dos materiais e equipamentos. Estamos relativamente bem, mas temos concorrentes ferrenhos em relação aos métodos dele, no que vivem a criar situações embaraçosas em nossos experimentos.

Na Science Magazine vivem a publicar artigos difamando a seriedade de nosso grupo acadêmico… o que dizem ser uma perda de custos que poderiam ser revertidos para outros fins. Que as invenções relacionadas à eletricidade e eletromagnetismo não passam de uma farsa e que não tem futuro. Retórica da oposição, artigos certamente patrocinados pela Mundial Electric.

Os patrocinadores nos pressionaram por resultados, que viessem de encontro a seus interesses. Não estavam nem aí para a humildade de Tesla e seus planos transformadores. Eu, que nunca fiquei longe de situações delicadas, tive uma ideia aparentemente inocente.

Isso ocorreu há dois anos. Se hoje escrevo é para que este segredo ecoe através dos tempos. Com profunda boa intenção em dar continuidade ao projeto, solicitei auxílio de de Ethan Morrison, um concorrente direto de Tesla. Era um amigo de infância, e por isso ainda acreditava em sua generosidade. Ele me propôs um trabalho, no que aceitei prontamente, para que pudesse nos auxiliar, livrando-nos da pressão do governo.

Me reuni a uma equipe de supostos engenheiros, que me levava a um almoxarifado, onde estariam as peças do problema a ser resolvido. Um lugar ermo, após uma longa viagem…uma marina em Wales. Malas repletas de supostos equipamentos, um dos técnicos, mau encarado, me questionou:

– Sabe manusear um rifle de longa precisão? É preciso corrigir a angulação conforme os ventos.

— O que??? Um desespero tomou conta de meu corpo, já franzino, ao notar o terreno em que estava adentrando.

– Você terá que acertar um alvo a 1 milha de distância, palavras do chefe. Parece que tem um espertinho a cientista querendo estragar os planos da Mundial.

Permaneci estático, meus pensamentos já não respondiam e meu corpo caminhava a passos largos de uma languidez total. Era de Tesla que eles falavam, meu patrão, quem mais poderia ser?

Prosseguimos viagem, o tempo não passava. Eu precisava de um plano pra resolver tudo, mas não tinha. De repente, retornamos a Londres, onde Tesla apresentava uma de suas invenções em praça pública. Eu já conhecia o aparato, conhecido como aparelho de radiografia, pois participei da equipe. Na cobertura de um hotel, me entregaram a arma, e disseram que eu tinha 3 minutos para fazê-lo. Me ofereceram até mesmo um emprego na Mundial, com um salário altíssimo. Era isto ou a morte.

Os fenômenos que ocorreram a seguir, são de difícil explicação, mas desejo que quem encontrar este diário, divulgue este estranho acontecimento aos estudiosos de sua época. Estava eu mirando aquela poderosa arma, tremendo e transpirando os horrores de minha decisão ingênua, quando de alguma forma, tudo parou. Sim, parou! O tempo, as pessoas, estava tudo paralisado. Parecia que somente eu tinha consciência daquele momento.

Um estranho apareceu, vestido como um ninja oriental, dizia se chamar Kalki… e que estava contribuindo para alguns ajustes na linha do tempo. Ele também conhecia Tesla no futuro, mas que não havia tempo para muitas explicações, já que ele podia pausar o cenário por no máximo 3 minutos, para não afrontar supostas leis regentes. Disse que era minha segunda chance, e que as coisas se acertariam. Sumiu como um relâmpago, e como havia dito, o xerife de Londres apareceu em seguida com a cavalaria, ofuscando os planos de Morrison. Todos foram presos e eu, após depoimento, peguei alguns meses de trabalho comunitário graças à minha infeliz escolha.

Nunca contei a ninguém, nem mesmo a Tesla. Deixei as coisas fluírem como estavam. Mas quem era este estranho visitante com habilidades mágicas, diria até divinas? Passei alguns meses bebendo descontroladamente e pensando em trazer a público está odisseia. Eu seria taxado de louco…diriam que tudo aquilo não passou de um sonho lúcido, já que trabalhava noites a fio com eletromagnetismo e os habitantes no geral alimentavam uma crença bizarra de que aquilo gerava efeitos adversos em nossos cérebros.

Não sei mais no que acreditar, mas se você se deparar com este diário no futuro, que compreenda minhas decisões, e faça bom uso desta informação.

Talvez vocês entendam um pouco mais do que eu… há coisas neste universo que somos convidados a parar de pensar, ou seguimos rumo a uma espiral de conjecturas infrutíferas. Só espero que este futuro chegue com progresso e felicidade a todos.

Backpacker 

Memento #3

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LOST foi a série que me iniciou nesta esfera globalizada da TV 2.0. A Revista Superinteressante tem uma ótima reportagem sobre este fenômeno da modernidade que marcou e inspirou a criação de muitas outras séries, mas nenhuma a meu ver atingiu o ápice que Lost alcançou.

Apesar do final controverso que dividiu muitos fãs, alguns tendo diversas teorias para explicá-lo, pouco importa. Para aqueles que acompanharam, a viagem que foi feita durante as seis temporadas: o universo de cada personagem, os mistérios da ilha, as conversas com frases marcantes, o clímax de cada despedida e de cada ação que teria um efeito posterior…

A série apresenta a jornada integrada de pessoas – entre personagens principais e secundários – que passam a se ver em um emaranhamento de enigmas após a queda do vôo 815 da Oceanic Airlines que ia de Sidney com destino a Los Angeles. Cada um vivenciava sua trajetória de vida específica, que em muitos pontos e valores se entrelaçaram na tal ilha desconhecida, que, por fenômenos específicos, não tinha ponto circunscrito no tempo nem no espaço.

As experiências da ilha se desencadeiam em 3 linhas temporais distintas que se interconectam: tempo presente, flashbacks e flash sideways. Conforme a trama prossegue, vamos compreendendo as características que envolvem cada personagem, suas lembranças, cenários possíveis e projeções almejadas.

Longe de querer explicar o enredo de Lost, feito que certamente precisaria de especialistas em física quântica, psicologia, mitologia e filosofia, vou me conter em apresentar as frases e cenas que mais me impressionaram, as quais trago na mochila e apresento aos leitores:

1 – Se ficar se preocupando com o que acontecerá, quando perceber, sua vida acabou e você a perdeu se preocupando…”

Não é de nenhum personagem principal, é uma cena de um flash sideway do personagem Sawyer, onde ele está vendo um filme e o personagem do filme diz essa frase, que se encaixava perfeitamente com o momento dele na série.

Sawyer que por sua vez era um de meus personagens preferidos, pois era o que mais lia e suas frases viraram verdadeiros bordões, enigmáticos ou bem humorados e recheados de referências a filmes e escritores.

2 – “Esperança é algo muito perigoso de se perder.” Sayid

3 – “O destino tem um jeito de corrigir o curso das coisas.” Hawkins

4 – “Só termina uma vez. Tudo que acontece antes é apenas progresso.”  Jacob

5 – “Não me diga o que não posso fazer.”  Locke

Por fim, trago dois vídeos com compilações das melhores cenas, porque foi difícil escolher só um! Para aqueles que como eu eram fãs da série, sentiram a nostalgia e relembrarão outras frases e momentos marcantes de Lost!

Conto de um Futuro Ideal

Agradecimentos

Aos prezados leitores, que certamente nos acompanharão nesta viagem prazerosa e talvez, com alguns percalços.

Ao estimado Kalki, pela infinita sabedoria e informações valiosas do futuro da humanidade.

Ao pesquisador sempre bem humorado Ford Prefect, pelas dicas de como nos comportarmos em uma viagem intergaláctica, e absolutamente NUNCA deixar-nos esquecer a bagagem, incluída a essencial toalha.

O Autor

ShorelineoftheUniverse

 

PRÓLOGO

 

Estamos no primeiro ciclo da união intergaláctica. Como vislumbrado por Asimov, a humanidade já povoa dezenas de milhares de planetas, vivendo em trânsito intenso da Via Láctea à Andrômeda, e na vizinhança cósmica.

Para que você entenda de forma precisa o desenrolar desta história, caro leitor, farei uso deste prólogo para uma síntese esclarecedora. Cada ciclo possuirá por volta de 250.000 anos (na forma como se considera o tempo na Terra). A propósito, estamos no fim do ano 47.143 do Ciclo I, no milênio que usualmente tratamos como 47KC1.

Iniciamos a contagem destes ciclos quando a Terra deixou de ser uma civilização baseada em combustíveis fósseis e passou a desbravar os confins da galáxia, em busca de energia solar, hidrogênio e diversas ligas metálicas, que tem crescido exponencialmente.

Fomos obrigados a investir substancialmente em tecnologia para viagens espaciais mais longas, em especial os motores FTL (faster than light), de  fusão de hidrogênio, mais popularmente conhecido como motor de dobra espacial e que nos propiciaram as viagens na velocidade da luz, ou bem próximo disso.

A busca desenfreada por cada vez volumes maiores de energia solar desencadearam a necessidade estratégica da construção de diversas Estações Feynman próximas a diversas estrelas. Falarei delas com calma mais adiante.

Adianto que são similares às Esferas de Dyson em sua estrutura, e simples em seu funcionamento.

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Esfera de Dyson (1959) – Art Extreme Tech

Além de nos permitirem captar instantaneamente milhões de toneladas de hidrogênio diariamente, no que transformamos em combustíveis, eletricidade, diretamente das fontes solares, podem ser consideradas como o advento revolucionário de nossa geração.

Você deve estar se perguntando como estas diversas civilizações estão se comportando nesta nova realidade, além do âmbito científico, nos aspectos político, social, econômico, ambiental… tendo em vista a realidade da Terra em um ponto longínquo de sua história. Ainda existem guerras, violência e corrupção, mas em escala tão ínfima que é abafada pelas leis que vigoram (de fato) em nossa união intergaláctica.

Parece mesmo é que as lendárias resoluções de Nikola Tesla em Sonho Lúcido¹ tiveram eficácia e transformaram as perspectivas de nossa sociedade.

Eu sou Kalki e lhe acompanharei nesta jornada, como narrador e conselheiro. Seja bem vindo ao… Conto de um Futuro Ideal, aperte seus cintos.

 

SUMÁRIO

 

Este conto será dividido em 10 capítulos, respectivamente:

 

  1. Intro (Caos)
  2. Memória Metálica?
  3. Estações Feynman
  4. Dominando a Gravidade
  5. Corrida pelo Hidrogênio
  6. Grande Prêmio de Canis Majoris
  7. Seres Elétricos
  8. Guerra Fotovoltaica
  9. Buracos Negros Explicados
  10. Vizinhos à Espreita

 

¹Conto anterior produzido por este blog e que guardará alguma relação com a história atual. Se você perdeu esta história, acesse aqui as partes 1, 2 e 3.

 

 

O Peso da Palavra

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Qual o peso de uma palavra?

me refiro àquela

d’um propósito revestida

da que vale, por princípio

ser proferida, ouvida.

 

Se com a voz articulada

não me faço compreender

gesticulo, propago

o inconsciente impulsionado.

 

Argumento da forma mais plausível

objetivos a serem atingidos

– renuncio ao inconcebível –

em vista do plano deferido.

 

Note que a balança

não aceita falácias ou sofisma

jogos do ego ou insegurança…

 

A haste de metal consistente

análoga a um prisma,

reflete a luz do esclarecimento

e se inclina aos justos e conscientes.

 

Muitos logram em burlar sua consistência

com ameaças, subornos e imposições

mundo de formas e aparências!

 

Mas no plano das ideias

dia haverá em que a verdade emergirá

como um incorruptível clarão

– a ofuscar e desintegrar –

diante de sua inexorável razão.

 

Kalki

 

Música #5 – Melhores Álbuns de 2017

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Ahoy mochileiros amantes de boa música!

Esta seção do blog está quase atrofiada, graças aos lançamentos não muito sensacionais do ano que se segue. Apesar disso, já me permito recomendar ao menos 5 álbuns que avaliei sem medo de ser feliz.

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Começo com o sexto álbum de estúdio da banda de indie rock inglesa, Kasabian. O álbum For Crying Out Loud está gerando um turbilhão de opiniões entre críticos e fãs. Para os críticos do Almusic e do Metacritic o álbum já supera a média 7/10 enquanto no RateYourMusic o mesmo não ocorre, tendo média inferior a 6/10.

Foi nítida a oscilação que a banda sofreu após seu debut Kasabian de 2004 e um sinal de melhora entoado pelo álbum Velociraptor! em 2011. For Crying Out Loud demonstra que a veia da banda é mesmo o Neo-Psychedelia aliado ao indie, sem pender muito ao indietronic. Até o momento é para mim o melhor álbum do ano.

Top5: Comeback Kid, III Ray (The King), Wasted, Twentyfourseven, You’re in Love With a Psycho.

Gênero: Indie Rock, Neo-Psychedelia, BritPop, Alternative Dance.

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Avaliação: 4/5

Na sequência, e não menos merecedora de apreciação e elogios, está a banda norte-americana de folk rock Fleet Foxes. Com seu lançamento Crack-Up, está na quarta posição entre os melhores álbuns do ano na opinião da comunidade de usuários do Rate Your Music, até o momento com média 3,74/5.

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Top5: Third of May / Ōdaigahara, If You Need to, Keep Time on Me, Fool’s Errand, Crack-Up, On Another Ocean (January / June).

Gênero: Progressive Folk, Chamber Folk, BritPop, Psychedelic Folk.

1
Avaliação: 4/5

Para encerrar a lista, recomendo 3 álbuns que avaliei com 3,5/5, sendo respectivamente:

Serenidade

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Semeia a paz no pensamento

e a verdade em todas ações

não olvides o discernimento

ante as provas e expiações.

 

Se nasce em ti a escuridão

golpeie a raiz com o contraste

vença a frivolidade e a ilusão.

 

Eleva-te com a luz da razão

além das fronteiras da ignorância

que insistem no combate à intuição.

 

Com disciplina e boa vontade,

erga alicerces em vosso Ser

construa um lúcido alvorecer

de equilíbrio e serenidade.

 

Kalki

 

A Natureza de Deus

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Estavam em uma assembleia vários doutores do conhecimento: físicos, químicos, astrônomos e tantos outros. A discussão ia além de suas certezas acadêmicas, e avançavam rumo a conjecturas existenciais ao desconhecido: a natureza de Deus.

O astrônomo se adiantou: Bom, caso ele exista, imagino que a gravidade seja o tato de Deus, regendo os movimentos de estrelas e planetas, de forma infinitamente perfeita.

O químico incrédulo arriscou um palpite: não creio em Deus. Mas caso ele exista, certamente as leis da termodinâmica são o epicentro de suas emoções e sentimentos.

O físico alimentou o debate. Para Deus, o eletromagnetismo seria seu raciocínio e a força nuclear sua força de vontade para um ciclo ininterrupto de criações e transformações.

Enquanto o assunto fluía, o matemático propôs que deveria existir uma fórmula exata que alinharia todos estes parâmetros e descreveria Deus.

O programador pensava de forma semelhante, mas para ele Deus seria um mainframe de todas as coisas, um sistema formado por algoritmos que regularia cada força fundamental do Universo.

Chegaram a bióloga e o neurocientista e propuseram uma nova direção ao imbróglio: para eles facilitaria o entendimento de Deus se pensarmos no microcosmo e não no macrocosmo. Logo inferiram que as células, principalmente as neuronais, carregariam a natureza e os desígnios de Deus, em sentido e caráter progressivo.

Já o filósofo discursava no âmbito da metafísica, para ele a única forma de abstrair e transcender o entendimento de Deus, sem conceitos e regras, somente sentimentos subjetivos em um panorama de equilíbrio e justiça.

Ao fundo da sala permanecia um poeta, calado e divagando em seus pensamentos. Atento a cada opinião e muito mais, à natureza, aos seres que o circundavam e toda a sua trajetória de vida e conhecimentos obtidos. No momento que sua participação foi requerida, levantou uma pequena folha de seu caderno em que fazia anotações, no que recitou em alta e clara voz:

Se Deus existe e nisto eu insisto,
Ele está em tudo e em todos
No aperto de mão de meu semelhante,
Dizendo-me Aqui estou!

Não como insistem os panteístas
De maneira fragmentada,
Muito menos de forma egoísta
ou personificada.

Mas se Deus é um hausto que a tudo acolhe
Regendo as estrelas e os planetas,
Então não só acredito nele,
Mas Nele estou imerso,
Pois que todo efeito tem causa inteligente,
O que se dirá de nós e do Universo?

Buscamos respostas rebuscadas
E a chancela das escrituras e suas reminiscências,
Mas esquecemos de pequenos gestos…
Que de forma integrada,
Nos alinham aos seus desígnios e essência!

Sem dúvida estou em meio a grandes intelectuais
E a seu conhecimento me curvo,
Mas em matéria de Deus?
Ele está nos mais simples sinais,
E na imensidão de suas criações
A tentar explicá-lo eu não me atreveria,
Em cada progresso, sentimentos e suas conexões…
Só me rejubilo em proclamar

És Infinita Sabedoria.

Kalki